18 de dezembro de 2010

festa no vizinho (ou uma questão de falta de bom senso)

Sexta-feira, por volta das 18h00, começo a ouvir um som muito alto vindo da rua. Em um primeiro momento pensei tratar-se de algum evento ou show nos clubes da vizinhança. Somente quando meu marido chegou, por volta das 20hs, vi que o vizinho da frente - que se mudou há menos de dois meses - estava dando uma festa.

Música eletrônica, música sertaneja, pop, rock, axé, funk. No portão uma lona azul escondia os convidados. E a garagem se tornou uma pista de dança.

O problema é que a festa continuou - em alto e bom som - atravessando a noite. 22hs, 23hs, meia-noite.

Como acredito que o diálogo é fundamental para se manter boas relações - principalmente com os vizinhos -, fui até a casa do vizinho da frente e toquei o interfone. Uma, duas vezes. Aparece uma moça segurando uma criança no colo, e eu pergunto se ela era a dona da casa. "Não". "Tem como você chamar a dona da casa, por favor?". "Só um momento".

Alguns segundos depois, eis que chega uma moça loira "Oi". "Oi, tudo bem? Eu moro aqui na frente e...". "Ah, já sei, é o barulho né". "Isso, é que amanhã eu trabalho, e já passa da meia-noite, não tem como diminuir o volume? Eu não estou conseguindo dormir". "É, eu sei, já passa da meia-noite, mas daqui a pouco a gente acaba porque meia-noite e meia eles tem que ir embora".

Educadamente agradeci, e fui para casa. Como me considero uma pessoa civilizada e tolerante, resolvi esperar essa "meia hora". Quarenta minutos depois o volume do som diminuiu, mas a música só parou depois da 01h do dia seguinte, com a festa sendo finalizada com a música "A Amizade" (quero chorar o teu choro, quero sorrir teu sorriso, valeu por você existir, amigo).

Para quem não conhece, o art. 1.277 do Código Civil brasileiro diz: "O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha".

Contudo, nada disso seria necessário se houvesse um mínimo de bom senso.

Festa em garagem é praticamente festa na rua - não existem paredes para diminuir o som. Parecia que o DJ estava dentro do meu quarto, mesmo de janelas e portas fechadas. Meu martírio só não foi maior porque pelo menos havia bom gosto, e estavam tocando músicas dos anos 80 (adoro!). Só que quando a gente precisa dormir cedo para levantar cedo no dia seguinte, nenhum tipo de música no último volume é legal.

Muitas pessoas trabalham aos sábados. Portanto, para uma sexta-feira, 22hs é o limite do bom senso. Já em um sábado, acredito que estender a festa até meia-noite é o suficiente. E isso sendo uma pessoa bastante tolerante e compreensiva. Afinal as pessoas, dentro de suas residências, não são obrigadas a ouvir a música que o vizinho está ouvindo - que de tão alta impede até de ouvir a televisão -, independentemente de trabalharem no dia seguinte ou não, de ser durante o dia ou noite. Questão de bom senso.

Além de falta de bom senso, é falta de respeito. Alguém que promove uma festa com som alto avançando a madrugada, não tem o mínimo respeito com os demais moradores. E, se mesmo após receberem uma reclamação continuam com o barulho, fica evidente a completa falta de bom senso e respeito. E isso dificulta (e muito) o bom relacionamento entre vizinhos.

Mas como a lei da ação e reação não falha, hoje, antes das 07hs, um senhor começou a recolher as latinhas das sacolas deixadas na lixeira depois da festa, e amassar, uma a uma. Fez isso até às 08hs da manhã. Bem na frente da casa, embaixo da janela do quarto do casal.

Um comentário:

  1. Muito bom o texto Raquel. Realmente falta bom senso nas pessoas. eu também não gosto de som alto, nem mesmo das musicas que ouço.

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