13 de outubro de 2010

devastando o Parque Estadual da Serra do Mar

É muito triste ver a devastação na Mata Atlântica na região. Tudo por causa da construção de dois gasodutos da Petrobras, que vai eliminar 69,72 hectares de vegetação da Mata Atlântica do Parque Estadual da Serra do Mar. Pra se ter uma ideia do tamanho do impacto, um hectare equivale a um campo de futebol.

As obras começaram em abril deste ano e vão cortar os municípios de Santo André, São Bernardo, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Os dutos, que receberam o nome de Gasan 2 e Gaspal 2, possuem 38 km de extensão.

Dutos em área devastada (Foto: Raquel Soldera)
De acordo com a Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, os gasodutos Gasan II e Gaspal II, têm como objetivo elevar a flexibilidade do sistema de gasodutos da Petrobras, facilitando o escoamento do insumo entre São Paulo e o Rio de Janeiro.

Por cortar uma área considerada sensível, o gasoduto enfrentou dificuldades para obter a licença prévia. Foram, ao todo,18 meses de espera, o que atrasou o início das obras, previsto inicialmente para setembro de 2009.

A empresa estatal afirma que vai compensar o desmatamento de quase 70 hectares com a plantação de 131 hectares, que será realizada em área ainda a ser indicada, durante a fase de implantação do empreendimento, nos municípios por onde passarão os dutos. Vale lembrar que a compensação ambiental do Rodoanel, que desmatou 297 hectares, até agora não foi feita. Imagine quando (e se) esta compensação ambiental dos gasodutos da Petrobrás será feita.

Além disso, dos cinco municípios do ABC por onde passarão os gasodutos da Petrobras, apenas Ribeirão Pires soube informar quais as compensações ambientais previstas para a destruição das áreas de preservação ambiental, segundo divulgação do jornal Metro ABC.

O Ministério Público do Estado afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que irá interferir na construção apenas se houver denúncias de irregularidades, o que não aconteceu. A obra da Petrobras possui licença ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, apesar das pilhas de árvores nativas cortadas.

Pilhas de árvores nativas cortadas (Foto: Raquel Soldera)
De acordo com a Petrobras, a obra possui Licença Ambiental de Instalação e Autorização para Supressão de Vegetação de Intervenção em Áreas de Proteção Permanente emitidas pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), além do EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e do Rima (Relatório de Impacto ao Meio Ambiente).

A licença ambiental veio, porém, sob os protestos de ambientalistas da região. Virgílio Alcides de Farias, membro do MDV (Movimento em Defesa à Vida), participou das audiências públicas realizadas em 2008 na região representando o Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente). O ecologista afirma ter apresentado à Petrobras outro trajeto para os gasodutos, que desviava da reserva ambiental. “O projeto, porém, exigiria desapropriações. Não acompanhei todo o processo, mas a licença ambiental acabou sendo dada para a proposta que passava pela mata Atlântica”, disse.

Segundo o professor de Gestão Ambiental e Sustentabilidade da Universidade Metodista de São Paulo, Vicente Manzioni, a compensação ambiental não recupera o desmatamento. “Nunca compensa. O principal impacto do gasoduto é na vegetação, na fauna e na flora. Eles são obrigados a plantar uma quantidade maior e isso normalmente acontece em uma área próxima à que foi desmatada, mas nunca é a mesma coisa. A devastação não se recupera e é um ponto importante que tem que ser considerado”, disse.

Área devastada próximo à Paranapiacaba (Foto: Raquel Soldera)
Em 2006, um estudo do impacto ambiental da construção de um gasoduto da Petrobras no Parque Estadual da Serra do Mar, encomendado pela própria Petrobras, apontava que 40 espécies de aves e 21 de mamíferos ameaçados de extinção podem sofrer as conseqüências de ter seu habitat invadido pela obra. A qualidade da água também pode ser prejudicada, já que há 98 travessias por rios previstas na construção.

Na época, segundo informações do G1, o governo paulista, no entanto, alegava que o laudo estava incompleto. “A região toda é muito delicada, há mananciais, matas fechadas”, afirmou Eduardo Hipolito, diretor do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). Hipolito temia que as estradas construídas para a manutenção do gasoduto fossem utilizadas por caçadores e desmatadores.

É óbvio que o impacto na fauna e na flora da região é imenso. O fato é que, infelizmente, estudos são manipulados de acordo com interesses econômicos e políticos. E aí, temos que presenciar a destruição da natureza, calados, porque tudo está "dentro da lei".

Prova disso é que a população local recorreu à Fundação SOS Mata Atlântica para "denunciar" a devastação na região, e ficaram indignados quando receberam como resposta um "não podemos fazer nada". Por isso ressaltamos a importância de escolhermos bem nossos representantes. Para que fatos como esse sejam evitados.

Aproveitando, fiquem de olho no novo Código Florestal, que está em fase de aprovação, para que cenas como essa não se tornem ainda mais comuns nas nossas florestas.

5 comentários:

  1. Muito boa a matéria, filha. Parabéns! Acho que o Du tem razão: está no DNA.

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  2. Parabéns.Esse negócio de jornalismo e indignação é hereditário e contagioso...

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  3. Parabéns pela matéria... É uma vergonha conseguir uma autorização dessas! É um absurdo!!! E pra constar, lembrem... ATÉ HOJE, a compensação ambiental do Rodoanel, que desmatou 297 hectares, até agora não foi feita. Imagine quando (e se) esta compensação ambiental dos gasodutos da Petrobrás será feita. Fiquem de olho!!!

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  4. Boa tarde.
    A dita "compensação ambiental" que alegam que será realizada, pode ser comparado a seguinte situação. Uma empresa chega em sua casa e constrói uma coluna e parede qua atravessa sua sala, cozinha e banheiro. Pois bem, para compensar este "transtorno" oferecem vantagens para você. Será fornecido, sem custo para você, um sofa maior, aparelhos de cozinha mais modernos e um instalações sanitária equivalentes a que você tinha. O detalhe está na localização... Você mora do 15º andar, sua nova cozinha será no 1º andar, a sala no 4º andar e o banheiro no térreo. Sem comentários....

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  5. Raquel em primeiro lugar quero parabenízala pela matéria exposta acima, e vc e mais alguns jovens um dia mudarão este planeta . A Natureza precisa somente uma chance para prosperar , mas infelizmente o homem e seu ''progresso" ganancioso
    atropela e não respeita tudo.Quisera que mais pessoas se preocupassem com este tema, mas somos poucos ainda, mas já é um começo.
    Eu tenho esperança ....ainda.

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