19 de julho de 2010

do emprego novo

Eis que depois de um processo seletivo angustiante, dinâmicas, entrevistas e várias desculpas esfarrapadas no emprego antigo, finalmente você recebe uma ligação dizendo que você foi selecionado para a vaga.

Comemoração, e aquela sensação de liberdade, de um novo começo, novos ares, pessoas novas, rotina nova, enfim, um mundo novo e desconhecido te espera neste novo emprego.

Primeiro dia. Aquele frio na barriga, e a sensação de que você não vai dar conta de tudo: nomes, atividades, planilhas, telefones. Tudo novo. Tudo diferente. Enfrentar o desconhecido é excitante, mas, no fundo, você não vê a hora que essa nova rotina que o espera vire finalmente uma rotina.

Os dias passam, e de repente toda aquela euforia e ansiedade começa a se tornar praticamente insuportável.  E cada vez mais você tem uma única certeza: está no lugar errado. É muita coisa nova, muita coisa diferente, e você não vai dar conta de tudo isso.

A ansiedade se confunde com o desespero. Você não consegue mais dormir à noite, despertado por algum prazo, alguma atividade inacabada, alguma coisa que veio te assombrar no final de semana.

Você entra em pânico. Decide largar tudo, sair correndo, se esconder em casa. Ah, lar doce lar. Mas como? Você tem contas a pagar, dívidas, uma carreira pela frente. Qual desculpa vai inventar para aquela selecionadora chata, querendo saber por que você ficou tão pouco tempo na empresa. Se disser a verdade, provavelmente nunca mais será contratado. Afinal, quem quer contratar alguém que entrou em pânico no emprego novo?

Nessas horas, nenhum amigo te consola ou te apóia. Todos dizem que já passaram por isso, e que com o tempo, passa. Você não quer ouvir isso. Você não quer pensar no futuro, porque ele é muito longínquo, porque ele é aterrizador. Você só queria alguém pra te dizer "cai fora, larga tudo", mas ninguém diz isso. Todo mundo diz pra você suportar, dar mais um tempo. Fácil falar. Não são eles que convivem com seus monstros, seus medos e aquelas planilhas imensas.

Você decide abrir o jogo e ir embora. Buscar um emprego mais parecido com o anterior, onde aqueles monstros não te encontrem, nem te assombrem. E você manda currículos, participa de processos seletivos, e surgem novos empregos. Mas, em casa um deles, um monstro novo aparece.

Para cada emprego novo, um monstro novo. Alguns dão mais medo que outros, mas todos estão lá, te esperando naquele ambiente desconhecido. E aí, ou você enfrenta essa realidade, ou pode pensar em mudar de planeta, porque eles sempre irão te encontrar.

2 de julho de 2010

e silenciam as vuvuzelas

E o Brasil saiu da Copa. Finalmente silenciam as vuvuzelas. Meus ouvidos (e os de meus cachorros) agradecem.

Muitas pessoas a essa hora já arrancaram as bandeiras das portas de suas casas e de seus carros. Patriotismo no Brasil só existe de quatro em quatro anos. Agora, só em 2014.

As emissoras de televisão mostram imagens de crianças chorando. Até compreensível. São crianças. Difícil é aturar imagens de marmanjos aos prantos, já que a gente não vê essa mesma cena enquanto os governantes roubam nosso dinheiro, enquanto crianças morrem de fome, enquanto pessoas morrem na porta de hospitais por falta de atendimento médico.

Na Holanda, o povo comemora a vitória. O jogo acabou perto das 13h00, e as imagens mostradas às 14h00 revelaram que não havia mais ninguém no centro de Amsterdã comemorando a vitória. O brasileiro se espanta com uma comemoração tão rápida, já que aqui, mesmo com a derrota, ainda se vêem imagens de shows no centro das principais cidades brasileiras. Talvez seja isso que nos distancie de um país de primeiro mundo. Aqui, comemoraríamos a vitória até domingo. Lá, o povo volta ao que realmente importa.

Acorda, Brasil! Vamos parar de lembrarmos a nossa pátria amada somente em Copa do Mundo. Vamos nos importar e nos unir pelo que realmente importa! Esse é ano de eleições! Vista a camisa, pendure a bandeira na porta da sua casa, no seu carro, e vamos, juntos, mudar esse país.

Que a gente tenha orgulho de ser brasileiro 365 dias por ano. Todos os anos. E vamos fazer muito barulho contra a corrupção que impera neste país!

=========<() PÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ!