1 de junho de 2010

por que a defesa dos animais incomoda tanto?

É impressionante como muitas pessoas se incomodam com a defesa pelos direitos animais. Sempre tem alguém disposto a dizer que "existem coisas mais importantes" e indicar diversas áreas que necessitam de atuação, ao invés da preocupação com os animais.

O curioso é que essas pessoas ou não fazem nada pelas coisas que julgam mais importantes, ou têm algum envolvimento com práticas e atividades que ferem os direitos dos animais.

Basta analisar aqueles que tanto se sentem incomodados com a defesa e a preocupação pelos direitos animais, e seus argumentos.

Baleeiros japoneses e caçadores de focas canadenses dizem que têm o "direito" de matar os animais.

Donos de circos e de parques aquáticos dizem que têm o "direito" de maltratar e explorar os animais nos espetáculos, fazendo com que os animais aprendam truques que nada têm a ver com o seu instinto, através de choques elétricos, pauladas e chicotadas.

Galistas dizem que têm o "direito" de explorar e maltratar animais através das rinhas de galos. O mesmo se aplica para aqueles que promovem rinhas de cães e pássaros, e aqueles que frequentam esses lugares, que também dizem ter esse "direito".

Donos de zoológicos dizem que têm o "direito" de manter os animais trancafiados em jaulas minúsculas, submetidos a uma exposição integral àquelas pessoas que acreditam ter o "direito" de ver os animais selvagens de perto, e ficam gritando para que acordem ou façam alguma micagem.

Toureiros e peões dizem que têm o "direito" de promover a crueldade e os maus-tratos a animais nas touradas e nos rodeios. E os frequentadores dizem que têm o "direito" de assistir a tudo isso.

Cientistas dizem que têm o "direito" de utilizar animais em suas experiências, mantendo-os presos em gaiolas minúsculas, submetendo-os a testes que envolvem dor e sofrimento, e matando-os para ver os resultados.

Pessoas que se intitulam "donos" de animais dizem que têm o "direito" de maltratar, espancar, deixar preso, na chuva, no frio, sem água ou comida os seus "animais de estimação".

E a grande maioria da população diz que tem o "direito" consumir produtos provenientes da morte e da exploração de animais, financiando uma indústria cruel e desumana para a produção de carne, ovos, leite, couro, peles e produtos testados em animais.

Todo mundo defende o seu "direito" a maltratar, torturar e matar animais. Mas e o direito à vida, à liberdade e à não-tortura dos animais? Podem ser violados em nome desses "direitos" que seres humanos acreditam possuir?

É absurdo que em pleno século XX as pessoas acreditem ter "direito" a torturar, maltratar, explorar e matar um animal.

Temos, sim, o dever de proteger esses seres, que sentem e sofrem como nós, mas que não têm voz para se defender das atrocidades e crueldades a que são submetidos diariamente.

Incomoda a todos aqueles que se opõem à defesa dos animais o fato de que seres humanos escolham lutar contra seres da própria espécie para salvar seres de uma espécie diferente.

No entanto, vale lembrar que a dor é sentida da mesma forma para ambas as espécies. E atos covardes e cruéis não são "menos graves" porque são cometidos contra uma espécie diferente. Eles continuam sendo aterrorizantes, porque lembram diariamente do que o ser humano é capaz.

Se uma pessoa é capaz de ser cruel e maltratar um animal, também é capaz de fazer o mesmo com o seu próximo.

Talvez seja exatamente isso que a defesa pelos animais incomode tanto: o fato de sabermos que se os agressores não tiverem mais os animais para "extravasar" sua maldade, restará os seres da sua própria espécie...

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