4 de abril de 2008

do analista júnior

A carreira de júnior, pleno e sênior no mundo corporativo é fascinante para a maioria dos empregados. É como ser um braço direito do gerente da área. Você elabora milhares de relatórios, gráficos, faz análises de todo um contexto de mercado e objetivos da corporação, participa de reuniões onde sua opinião é solicitada como fator decisivo dos caminhos que a empresa irá trilhar. Você faz apresentações para a diretoria, participa de almoços de negócios, e sempre é consultado em qualquer assunto pertinente à sua área de especialização. Você e seu gerente participam de reuniões intermináveis traçando planos para a organização, e você pode mandar e desmandar em estagiários, patrulheiros, assistentes e auxiliares.

Pelo menos é isso que você visualiza quando pensa no desenvolvimento da sua carreira de júnior, pleno e sênior.

Você pode estar na companhia há alguns anos como assistente, auxiliar, ou até estagiário, mas o início será como júnior. Nada mais justo. O problema é quanto tempo vai levar para você alcançar a senioridade, o tão almejado topo da carreira, ou melhor dizendo, o título de sênior.

Em teoria, um profissional inicia a carreira como júnior recém-formado, ou seja, logo que você conclui um curso superior. O ideal é ficar com o título e atividades de júnior de um a dois anos, e então passar para pleno, pressupondo um acréscimo de responsabilidade em função das diferentes características do cargo. Você ficará mais uns três anos como pleno, para atingir a maturação do cargo, e finalmente passará para sênior. Ou seja, um profissional com cinco a seis anos de experiência já possui senioridade da função. Depois disso você ainda pode ser promovido a especialista (sete a oito anos de experiência), e algumas empresas têm a função de Consultor Interno, ou seja, um guru da área.

Como eu disse anteriormente, o problema é em quanto tempo você alcançará a senioridade da função, na prática.

A maioria das organizações 'esquecem' os profissionais na função que foram contratados, por diversos motivos. Ou não planejam um aumento de responsabilidade para que ele possa trilhar a carreira, ou contratam um júnior com responsabilidade de pleno ou até sênior. Ou têm uma política de remuneração que não permite que o profissional tenha o título de acordo com o tempo de experiência na função, simplesmente porque não foi possível conceder-lhe aumentos de mérito para que chegasse ao ponto médio da faixa. E aí o discurso é: só podemos promovê-lo para pleno quando atingir o ponto médio da faixa de júnior. Mas a empresa não planeja cotas de aumento de mérito para que essa progressão na faixa seja possível. Ou ainda o gestor da área não faz esse tipo de planejamento para os seus subordinados, e isso é mais comum do que se imagina.

Carreira e remuneração são vistos como tabu, e a maioria dos gestores não está interessada em acompanhar o desenvolvimento da carreira do subordinado. A culpa é sempre de RH.

Na realidade, a progressão na carreira deve ser planejada pelo gestor, acompanhada pela área de Recursos Humanos, e cobrada pelo profissional. Você está assumindo mais responsabilidades e não teve nenhum aumento salarial ou promoção (mudança de título)? Fale com o seu gestor! Procure se informar sobre a sua carreira, quais competências são esperadas para que você seja promovido, mas não se acomode! Você tem o direito de saber o que é esperado de você, e ser reconhecido quando atinge essas expectativas.

Eu disse que o ideal é permanecer como júnior de um a dois anos, correto? Com certeza nesse momento você calculou quanto tempo está ou ficou na função de júnior. Você lembrou daquele colega de trabalho ou conhecido que está há cinco anos na função de júnior. Por quê será que ele está tanto tempo na mesma função? Porque a empresa é sacana, você responde. Em partes, sim, é isso mesmo. Mas o quê ele está fazendo ou fez a respeito? Será que não é a hora de procurar outra organização? Discutir sua progressão? Rever suas atividades e responsabilidades? Será que ele se acomodou?

E o que você diria de um profissional com o título de analista júnior há 24 anos? Não, eu não digitei errado, é isso mesmo: VINTE E QUATRO ANOS. Não, você não leu errado. Vou soletrar: v.i.n.t.e. e. q.u.a.t.r.o. anos como analista júnior. E ainda não foi promovido a pleno. Ou seja, são 24 anos até agora. Qual será o limite???

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