25 de setembro de 2009

do interesse na empresa

Essa semana participei de uma mesa redonda sobre extensão universitária e formação profissional, e uma das participantes era a diretora de RH da Siemens, Sylmara Requena. Durante sua exposição, dois itens abordados me chamaram a atenção:

1. a falta de profissionais capacitados tecnicamente para as áreas de produção. Como a diretora de RH disse, antigamente existiam muitos profissionais com capacitação técnica pelo SENAI. É verdade. Hoje em dia não temos mais tantos jovens interessados em fazer um curso no SENAI como antigamente. Mas vejo que as próprias empresas são culpadas por isso. Geralmente, quem faz um curso no SENAI e entra em uma empresa, dificilmente consegue ter um desenvolvimento na área, seguir um plano de carreira. O profissional sente-se estagnado depois de alguns anos, porque não existe oportunidade de fazer algo diferente. O curso técnico do SENAI acaba não sendo uma porta de entrada, mas uma porta de permanência definitiva, e sabemos que cada vez mais o novo profissional anseia por atividades novas, por reconhecimento, por crescimento dentro da organização. Por isso um jovem não se contenta em fazer um curso do SENAI e parar por aí. Ele quer mais. E cá entre nós, quem hoje em dia pensa em entrar numa empresa pra fazer a mesma coisa para o resto da vida?

2. perguntar o que faria uma empresa interessar-se por você. Seria uma auto-análise de suas qualidades, características e habilidades que seriam atrativas para as empresas. Particularmente não gosto desse sentido de "superioridade" que atribuem às empresas. É muito mais importante analisar o que a empresa vai oferecer profissionalmente, e não "mendigar" um trabalho. Ao participar de um processo seletivo, pesquise sobre a empresa que está interessada em contratar você. Durante as entrevistas, questione quais serão seus objetivos, suas atribuições, suas funções. Analise se é interessante, se é motivante, se esse emprego é atraente para você, não pelo nome da empresa ou pelo salário, mas pelas atividades que você desempenhará.

Quantas vezes as empresas não contratam excelentes profissionais prometendo grandes desafios e revoluções, para no final das contas o profissional ficar apenas trocando cor de gráfico em apresentação? A psicóloga Sandra Betti, que também participou da mesa redonda, além de listar uma série de competências de um bom profissional, ressaltou que é fundamental ter fluência em inglês e espanhol. Legal. Aí você encontrará um chefe que não sabe nem inglês, nem espanhol, e além de trocar a cor dos gráficos, vai virar tradutor-intérprete. "Você pode redigir um e-mail falando isso, isso e isso, em inglês, e me manda. Pode deixar que eu envio para a Europa". Vejo que a grande maioria das empresas exige fluência em idiomas por conta da globalização, mas que na verdade não são utilizados no dia-a-dia. Afinal, não é necessário fluência em inglês para as ferramentas de e-mail, do Windows, para tirar uma cópia ou enviar um fax.

5 de setembro de 2009

da falta que você (não) faz

Quantos gestores sabem exatamente as atividades de seus funcionários, a complexidade, o tempo investido? Será que qualquer profissional é capaz de fazer as mesmas atividades de outro, ou as aptidões e facilidades para executar determinada tarefa está relacionada não só a formação técnica, mas também a outras vivências e experiências profissionais e pessoais da pessoa?

Férias. Quantas vezes não ouvimos a máxima 'não saia 30 dias de férias porque podem perceber que você não faz falta na empresa'. Será que a presença realmente faz a diferença? Será que temos consciência da importância das tarefas que executamos? Ou será que realmente existe muita coisa inútil que não faz falta?

E se grande parte de nossas atividades são tão 'sem importância' a ponto de não fazermos falta durante nossas férias (sim, de trinta dias!), como surgiram essas atividades inúteis, e por que são necessárias se não são imprescindíveis para a empresa?

Quantas vezes você não é cobrado por algum projeto, planilha, gráfico, que nunca foi apresentado? Que foi feito às pressas, varando a noite, e no dia seguinte seu chefe nem sequer deu uma olhada no que foi pedido?
Quantos relatórios você não emite para aquele cara chato da contabilidade, da engenharia, da área de vendas, que muitas vezes seu chefe nem sabe que é solicitado a você?

Quantas horas você não perdeu mudando a cor daqueles gráficos para tons pastéis, porque seu diretor acha que fica melhor na apresentação? E seu diretor sabe quanto tempo leva para trocar as cores de TODOS os gráficos de uma apresentação de mais de 40 slides?

Quem sabe exatamente o que é imprescindível para a organização dentre o rol de atividades de sua responsabilidade?
Muitas vezes tive a nítida impressão de que meu diretor não sabia o que era imprescindível para sua área. E se ele não sabia, meu gerente talvez soubesse menos ainda. E se ambos não conseguiam definir prioridades, o que dirá sobre os que estão abaixo deles...

Talvez se a comunicação fosse mais eficiente, entre diretores e executores, entre aquele que pensa e aquele que executa, entre o iluminado que tem aquela idéia fantástica e o coitado que terá que por em prática, você saberia exatamente o quê é esperado de você, e não perderia tanto tempo mudando a cor daquele gráfico para tons pastéis porque fica mais bonito. Segundo seu diretor, claro.

Por que cá entre nós, se o gráfico mostra indicadores abaixo do esperado, o que importa a cor pastel daquele vermelho significando que o objetivo não foi atingido?

2 de setembro de 2009

da inovação

Atualmente muito se fala em inovação e criatividade dentro das empresas. A criatividade pode ser definida como criar novas ideias, pensar coisas novas, enquanto a inovação é melhorar o que já existe, um processo de trabalho, um produto.

Cada vez mais aumentam as cobranças por projetos de melhoria contínua. Colocam-se metas, objetivos, prêmios são oferecidos em dinheiro ou viagens, e até chegam a avaliar o desempenho do funcionário por melhorias apresentadas.

Até aqui tudo bem.

O problema é quando o funcionário tem tempo para pensar, inovar, criar? Cada vez mais as empresas enxugam os seus quadros de funcionários; cada vez mais as pessoas exercem atividades antes executadas por mais duas ou três pessoas.

Além disso, quantos gestores permitem que o funcionário pense, inove, crie? Experimente ficar sentado tamborilando na sua mesa enquanto pensa em uma melhoria no seu processo de trabalho. Experimente ler um jornal, uma revista, ou um artigo na internet, em busca de atualização e novas ideias. Experimente simplesmente pensar em uma maneira diferente de fazer alguma atividade jurássica solicitada pelo seu superior hierárquico.

Se você tiver liberdade para pensar na empresa onde você trabalha, parabéns, você é um profissional de muita sorte.

Na grande maioria das empresas por onde passei, o que mais se ouvia era 'você não é pago para pensar, e sim para executar'. E olha que não me refiro a atividades operacionais.

Pensar. Inovar. Criar. Você pode. Mas não deixam.