10 de agosto de 2009

da utopia da diversidade

Ultimamente muito se tem falado sobre diversidade nas grandes organizações. Como se o Brasil por já não fosse um país repleto de diversidades.

A palavra 'diversidade' é bastante ampla e complexa. Significa inconstância, multiplicidade, volubilidade, variação, variedade, heterogeneidade, flutuação, pluralidade, discordância, divergência.

Um indivíduo, ao ingressar em uma nova empresa, leva consigo sua própria diversidade, de ideias, valores, princípios, etnia, cultura, pensamentos e posturas. Mas quando as empresas falam em 'diversidade', não pensam nessa característica inata do ser humano. Quando uma empresa levanta a bandeira da diversidade, quer dizer 'aqui contratamos mulheres, negros e pessoas portadoras de deficiência'.

As empresas estão engatinhando no quesito 'diversidade'. As matrizes cobram indicadores dessa 'diversidade', mas apenas o percentual de mulheres e negros. É como se houvesse uma cota para essa diversidade, como já ocorre no caso das pessoas portadoras de deficiência. Isso deixa claro que as empresas não fazem um papel social, não abrem suas portas para a diversidade. Apenas cumprem cotas.

Diversidade não se resume à etnia, gênero, deficiência física. É algo muito mais amplo, e as empresas não sabem como lidar com a diversidade real que reside nas empresas: religião, política, futebol, valores, crenças, opção sexual.

Uma empresa que tem no seu quadro de funcionários negros, mulheres e pessoas portadoras de deficiência, mas no seu restaurante não oferece uma refeição saudável para vegetarianos, pode levantar a bandeira da diversidade?

Uma empresa que comemora datas católicas e não cita datas importantes para outras religiões, pode levantar a bandeira da diversidade?
Uma empresa que não respeita a opinião dos empregados, pode levantar a bandeira da diversidade?

Diversidade vai muito além do que as empresas pregam atualmente.

Depois ouvimos gerentes de Recursos Humanos dizendo que a Maria não pode ser mandada embora porque ela é muito importante para a empresa: é mulher e é negra. Acredita?