16 de julho de 2009

da felicidade na empresa

Recebi hoje um texto falando sobre a responsabilidade das empresas no quesito 'felicidade'. Vamos lá.

Felicidade: responsabilidade da empresa?
Saiba qual o percentual que uma empresa influencia na motivação do funcionário.

Cientistas calculam que 50% da felicidade de uma pessoa são determinados pela genética, 10% pelas circunstâncias de vida e 40% por pensamentos e ações.

Uma empresa não tem como interferir na genética de um ser humano, mas pode representar uma circunstância de vida. No entanto, a circunstância de vida significa apenas 10% da felicidade. Além disso, sabemos que a vida não é composta apenas de aspectos profissionais. Existem as questões pessoais que não podem ser determinadas nem depender de uma empresa. Com isso, já perdemos uma parte desses 10% de felicidade.

Mas ainda sobram os 40% relacionados com pensamentos e ações. Talvez uma empresa possa proporcionar a uma pessoa a oportunidade de bons pensamentos e ações, mas certamente não tem como gerir e controlar esse processo.  

Esses dados nos mostram aquilo que já sabemos: a felicidade depende diretamente da pessoa. Não há como atribuir a uma empresa a responsabilidade pela felicidade de alguém.

Mas uma empresa é feita de pessoas. Portanto, quanto mais pessoas felizes trabalharem nela, melhor será o seu clima organizacional. Essa conclusão parece bastante óbvia – o problema é a quantidade de mal entendidos que a cercam.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que as pessoas continuam atribuindo à empresa a responsabilidade pela sua motivação e/ou disposição. A frase: "esta empresa não me motiva" é comum em quase todos os ambientes empresariais.

Em segundo lugar, como entidade abstrata, a empresa depende dos seus líderes para construir e manter o seu grau de felicidade. Portanto, é nos líderes que tudo começa ou, pelo menos, deveria começar.

Não faltam empresas preocupadas em motivar o seu público interno praticando comunicação interna de massa, ou seja: uma mesma mensagem para todos, sem lembrar que, exatamente por ser uma entidade abstrata, precisa ser representada pelos seus líderes.

As campanhas motivacionais são, normalmente, direcionadas para a base da pirâmide organizacional. Por serem de massa, atingem também as chefias intermediárias, mas não são direcionadas a elas. São ações que, na maior parte das vezes, não motivam as pessoas da base operacional, nem as lideranças, exatamente porque não existe a motivação pela motivação.

São campanhas cujas mensagens não conseguem mostrar às pessoas que a felicidade pode estar dentro de cada uma delas, e não na empresa. Mais do que isso, são processos que não preparam os líderes para explicar com clareza, aos seus subordinados, essa questão. Tanto base quanto lideranças demonstram o mesmo nível de expectativa em relação à empresa. Uma expectativa que jamais conseguirá ser suprida.

A vida de uma pessoa é formada por tantos aspectos, uma mesma pessoa desempenha tantos papéis, que se torna impossível atribuir a uma empresa a responsabilidade de motivá-la.

Por isso a importância de a empresa manter o seu foco na informação clara e transparente, na informação que gera valor, na informação que faz a pessoa sentir-se importante para a organização. A informação é, sem dúvida alguma, a maior arma que uma empresa possui para contribuir com a felicidade do seu público interno.

Voltemos aos dados anteriores: se 10% da felicidade é determinada por circunstâncias de vida e o trabalho é uma delas, certamente um bom nível de informação sobre objetivos, estratégias e resultados da empresa tornará a pessoa mais próxima e, consequentemente, melhor alinhada a tudo o que se refere a ela. Isso, sem dúvida alguma, fará a pessoa mais feliz no ambiente de trabalho. Então, vamos dizer que, com isso, ganhamos pelo menos 5% de felicidade.

Se 40% da felicidade é determinada por pensamentos e ações, quanto mais informações a empresa disponibilizar, melhores serão os pensamentos em relação a ela e melhores serão também as ações. Porque a informação bem trabalhada gera segurança, e as pessoas somente têm coragem para agir em favor da empresa quando se sentem seguras daquilo que fazem e daquilo que podem fazer.

Dentro desse mesmo contexto de pensamentos e ações, é importante lembrar que a democratização da informação, dentro de uma empresa, diminui o nível de tensão das pessoas. E é exatamente em momentos de tensão que o cérebro humano se concentra em pensamentos negativos.

Tudo isso nos mostra que a felicidade empresarial não pode ser representada por uma família de propaganda de margarina, nem conquistada através de campanhas internas com conteúdo demagógico e pouco real, pois, ao fazer isso, a empresa estará trabalhando contra si.

Dentro de uma empresa, a felicidade é a soma dos percentuais de felicidade de cada uma das pessoas que faz o seu dia a dia e da consciência das suas lideranças em relação a isso.

Estou me referindo ao bem-estar, à harmonia e à segurança que somente podem ser provocados por um bom processo de informação.


Por Analisa de Medeiros Brum (sócia-diretora da HappyHouseBrasil - agência de endomarketing e autora de livros sobre Endomarketing)

HSM Online
http://br.hsmglobal.com/notas/53440-felicidade-responsabilidade-da-empresa
13/07/2009

Meu comentário:

Se 40% da felicidade são determinados por pensamentos e ações, e a empresa muitas vezes atribui atividades aos empregados, que acabam fazendo algo que não gostam, em um ambiente repleto de mentiras, como é que a empresa não é responsável por isso??? Não acredito que a felicidade depende diretamente da pessoa quando você precisa se sujeitar a viver num ambiente mesquinho por conta de um salário no fim do mês. E sabemos que o problema da 'felicidade' na empresa não está na 'democratização de informações'. O buraco é mais embaixo. Envolve ética, moral e caráter.

Isso foi o que eu postei como comentário no site.

Você pode até me falar 'Se a pessoa não se sente bem na empresa, deve procurar outro lugar então'. Oras, quantos de vocês não estão nessa mesma situação - trabalhando porque precisam, fazendo algo que nem sempre gostam, engolindo sapos? E quanto de vocês procuram outro lugar?

Até quando vamos tapar o sol com a peneira e atribuir aos empregados a responsabilidade de um problema de ambiente organizacional gerado por vários fatores que escapam de suas mãos?

Para minha felicidade, algumas pessoas também não se deixam iludir pela máxima 'a motivação está dentro de você' quando o assunto é empresa:

Carlos S. disse:
Julho 14 de 2009 às 19:55 hs.
Muito interessante o artigo, porém, no mundo corporativo em que vivemos hoje, estamos muito mais tentando driblar o sofrimento que o trabalho nos causa do que procurar felicidade nele. Passamos fisicamente pelo menos 10 horas confinados em um espaço suportanto pessoas que não nos suportam , suportando chefes que não querem no fundo no fundo perder seus empregos e para isto fazem sofrer seus subordinados. Na verdade nada mudou e nunca irá mudar a máxima de que o homem sempre dominará o homem, assim e infelizmente a felicidade não importa, o que importa é o poder, o dinheiro, o conforto e o ter.

J.Bulhões disse:
Julho 14 de 2009 às 18:12 hs.
As coisas fundamentais da vida são de uma simplicidade estonteante. É óbvio que a felicidade de um indivíduo não pode ser creditada apenas ao seu ambiente de trabalho. Contudo, aolongo de mais de 40 anos exercendo atividades gerenciais, jamais conheci alguem "pouco feliz" ou "razoavelmente feliz" trabalhando para uma organização onde gerentes e diretores fazem de conta que ouvem, fazem de conta que reconhecem, fazem de conta que estão interessados no sucesso profissional dos seus colaboradores. Por esse estado de coisas, conheci sim muitos "totalmente infelizes", que levam ao final do dia para os seus lares rancores e apreensões, inadivertidamente convertidas em intolerância para com a esposa e filhos. Conheço, entretanto, muitas situações em que o infortúnio da vida privada de indivíduos foi significativamente atenuado pela solidariedade dos que com eles conviviam em seus ambientes de trabalho. De qualquer forma, parabéns por ter ressuscitado o tema.

Carolina M Volkart disse:
Julho 13 de 2009 às 20:25 hs.Muito bom o artigo. Infelizmente o que mais se percebe nas empresas é a demagogia, onde fazem uma imagem de bons samaritanos, mas as ações dos líderes não acompanham. O que me parece ser aquele velho ditado "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Como lideres devem se ligar nas suas atitudes! Abraços,Carolina M Volkart

8 de julho de 2009

da fiscalização

Existem chefes e existem líderes. Acredito que 99,9% das organizações têm chefes em cargos de lideranças. Pouquíssimos líderes.

A maioria desses chefes eram excelentes técnicos. Exceto aqueles que eram péssimos técnicos, e sem saber o que fazer com eles, acabam promovendo para coordenador, encarregado, supervisor, whatever. Ora, um excelente técnico nem sempre tem visão estratégica ou espírito de liderança. E sem saber o que fazer na sua nova função, vai fiscalizar os demais técnicos, agora seus subordinados.

Além de estipular prazos de entrega, quer acompanhar diariamente a realização do serviço. Muitas vezes o acompanhamento é por período. "São 9:00, acredito que estamos progredindo; podemos revisar às 15:00?".

Não preciso dizer o quão desgastante é trabalhar dessa maneira. Haja paciência! Principalmente quando o chefe nem bom técnico era, aí nem sabe do que está falando, o que está cobrando, atacando a gastrite do pobre subordinado.

A fiscalização dos chefes vai além do trabalho em si. Passa também pelo horário do almoço ("Se perderam no caminho?"), as idas ao toalete ("Não 'tá se sentindo bem hoje?"), a quantidade de café ou água consumidas.

E vai mais além ainda. Existem empresas que a cada e-mail enviado para alguém, uma cópia vai para o chefe dessa pessoa. Isso mesmo. Difícil de acreditar, mas é verdade. Isso aumenta as cobranças por atividades. "Já respondeu o e-mail do Godofredo?".

Com todas as cobranças, fiscalizações e pressões diárias, o monitoramento de e-mails, internet e conversas ao telefone, eu me pergunto se é realmente indispensável a presença desse perfil de chefe nas organizações. Ou estão gastando dinheiro à toa, ou voltamos ao período da escravidão - agora com outros nomes para 'capataz', formas diferentes de controle e punição para os escravos, em troca não de moradia, mas de um meio de recompensa agora denominado 'salário'.