6 de abril de 2008

do poder que subiu à cabeça

No ambiente de trabalho, além dos colegas, existem os grandes amigos. Aquelas pessoas que, com a convivência do dia-a-dia, vão se tornando peças fundamentais para a nossa sobrevivência diária na organização. Com elas damos risada, sabemos das últimas novidades, desabafamos e falamos mal do chefe. Também dividimos pensamentos, valores e princípios, e as diferenças culminam em discussões na hora do almoço, seja sobre futebol, religião ou o último crime em alta na mídia.

Você tem certeza de que, haja o que houver, pode confiar nessas pessoas. Vocês estão no mesmo barco e que a amizade ultrapassa os portões da empresa, visto pelos inúmeros happy hours, jantares em casa e idas ao Brás para fazer compras.
Até aí, tudo bem. Você pode até se distanciar dessas pessoas com trocas de departamento ou saídas da empresa, mas elas continuam fazendo parte do seu rol de amigos. Lembre-se de seus amigos de colégio e faculdade. Quantos continuam fazendo parte do seu rol de amigos? E com quantos você tem uma convivência diária? A amizade é assim mesmo, continua existindo mesmo que não haja uma convivência diária.

Mas o que acontece com aquele seu amigo que tem uma promoção para um cargo de liderança? Abraham Lincoln disse uma vez: "Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder".

Talvez você não perceba uma grande mudança quando isso acontece com os seus amigos de colégio ou de faculdade, mas certamente haverá uma grande mudança com o seu amigo do trabalho. Claro, isso varia de pessoa para pessoa e existem exceções, mas as pessoas tendem a mudar o comportamento quando assumem cargos de liderança.

Os almoços com seu amigo-líder vão diminuir. Ele estará em uma reunião, conferência, ou até passará a almoçar com outros funcionários-líderes. E quando vocês conseguirem almoçar juntos, pode haver uma certa formalidade durante a refeição.

Seu amigo-líder não discutirá mais os defeitos da organização como antes. Talvez a empresa passe a ser perfeita para ele. E não se assuste se ele passar a tomar café, almoçar ou bater nas costas de todos aqueles chefes antes considerados insuportáveis em comum acordo por vocês... ou pior ainda, se ele disser que o mais autoritário e o mais odiado deles é um guru ou uma pessoa magnífica.

Sabe aquele jargão horroroso utilizado incansavelmente por chefes? "Isso é peanuts", "Eu tô legal com isso", "Você é fantástico", ou qualquer outra frase que você já tenha ouvido com frequência de chefes e não suporte? Seu amigo-líder vai soltar algo parecido em uma conversa com você.

É triste e decepcionante quando você percebe que o seu amigo se tornou mais um líder. Que ele se rendeu à roupagem dos líderes da empresa. Você vai ouvir um subordinado dele (se não for você) reclamar de atitudes de chefe antes condenadas por ele.

Você pode até tentar salvá-lo desse caminho sem volta, ter esperanças de que ele se torne um líder-exemplo, mas isso não depende de você. Depende dele, e somente dele. As pessoas escolhem seus caminhos e os rumos para suas vidas. E, da mesma forma, a gente escolhe acompanhá-las ou não.

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