23 de abril de 2008

da neura com o telefone

Pequena reunião na mesa do chefe. O prazo está apertado e vocês estão revisando os relatórios e discutindo sobre alguns pontos fundamentais do projeto. O telefone toca. Ele atende. Começa a discutir um assunto com alguém. A discussão se prolonga. Passam dez minutos. E você lá, sentado, esperando. Nesse momento o celular do seu chefe começa a tocar. Ele entrega à você e faz sinal para que você atenda. Entre sussurros você diz quem é. Ele interrompe a ligação e atende o celular. Mais alguns minutos se passam, e você, esperando. Mas dessa vez você não está sozinho, porque a pessoa da primeira ligação também está na espera. E quando a conversa no celular terminar, você ainda precisará esperar a conversa do telefone terminar, para então retomar a sua reunião sobre o projeto com o prazo apertado (apertadésimo agora, que já se passaram quase quarenta minutos de chamadas telefônicas).

Eu vejo o telefone como uma ferramenta de serviço, assim como o e-mail ou o comunicador instantâneo. Se eu estiver atendendo alguém, não vou atender o telefone ao mesmo tempo, da mesma forma que não vou deixar você falando sozinho e começar uma conversa com outra pessoa. Uma coisa de cada vez.

Claro, para toda regra existe uma exceção, de repente é uma ligação decisiva para essa conversa, de alguém que você estava aguardando, aí você até pode pedir licença, 'um minutinho', mas não se esqueça que, mesmo assim, é uma tremenda falta de respeito para com a pessoa que estava conversando com você.

Já reparei que algumas pessoas que têm a síndrome do telefone (não podem ouvir um telefone tocar que corre para puxar a ligação) conseguem se conter dependendo do nível hierárquico da pessoa que está sendo atendida. Uma conversa de dez minutos com o subordinado se transforma em uma hora, por causa de cinco ligações recebidas; uma conversa de dez minutos com um gerente ou diretor dura oito minutos, também com cinco ligações recebidas. Qual a diferença? Simples. Durante a conversa com um gerente ou diretor, nenhuma ligação foi atendida. Em resumo: VOCÊ pode esperar enquanto ele fala ao telefone; eles, não.

A neura com o telefone atinge um nível extremo quando a pessoa, além de estar atendendo alguém pessoalmente (que nesse momento está falando com alguém que ligou no celular da pessoa) e estar resolvendo um assunto ao telefone, ainda grita "Puxa pra mim" quando uma terceira ligação surge. O toque do telefone impera. Domina a situação.

O domínio da telefonia no mundo corporativo começa com os "grupos de busca", onde todos os ramais de um departamento são aptos a puxar qualquer ligação desse grupo. Oras, se eu estou ligando para o Zezinho, não quero que o Joãozinho em atenda. Eu quero falar com o Zezinho! Se o Zezinho não estiver, eu deixo um recado na caixa postal, mando um e-mail, deixo um bilhete na mesa dele se for o caso, mas não adianta nada o Joãozinho me atender e dizer "O Zezinho não está", e quando eu disser o meu problema ele responder "Infelizmente isso é com o Zezinho mesmo". Conclusão: o Joãozinho me fez perder o meu tempo dizendo quem sou e qual o meu problema, e perdeu o tempo dele, parando o que estava fazendo para puxar a ligação, me ouvir e dizer que não podia fazer nada.

Se cada um tem um número de ramal, não existe motivo para outras pessoas puxarem o meu ramal, a menos que elas saibam do meu trabalho e possam responder por mim para outras pessoas!

Diga não à escravidão da telefonia! Não seja mais um neurótico com o telefone.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Rabisque você também!